Hipertensão arterial em crianças e adolescentes

O critério para diagnóstico da Hipertensão Arterial na infância e adolescência considera a idade, a altura e o sexo dos pacientes. Níveis tensionais iguais ou maiores que o percentil 95 são considerados elevados.
A aferição da pressão arterial nos quatro membros deve fazer parte de toda consulta de primeira vez de uma criança ou adolescente; tal rotina justifica-se não apenas para a detecção da hipertensão assintomática mas para o rastreamento de sua principal causa corrigível, a coarctação da aorta.
Para crianças pequenas, sugere-se que as medidas tensionais sejam realizadas ao final do exame físico de primeira vez, quando já deverá estar ocorrendo um clima de confiança entre o pequeno paciente e o médico.
Muitas vezes, a tomada da pressão arterial logo no início da consulta, pela compressão, pelo ruído e pelo próprio aparelho, pode gerar ansiedade, medo e chôro na criança, levando a elevações por vezes significativas dos níveis tensionais.
O uso de manguitos com larguras adequadas à circunferência do membro onde será realizada a medida da pressão arterial é condição crítica para a fidedignidade da aferição; manguitos mais largos acarretarão medidas falsamente baixas, enquanto que manguitos muito estreitos ou aplicados frouxamente ao membro levarão a medidas falsamente elevadas.
A principal causa de hipertensão na infância e na adolescência é a obesidade, como parte integrante do início de uma síndrome plurimetabólica causada por fatores genéticos, hábitos alimentares inadequados e ao crescente sedentarismo em tal faixa etária.
Tal síndrome tem sido documentada em expressivo número de adolescentes obesos, associando-se a elevadas freqüências de dislipidemias, intolerância à glicose e hipertensão arterial, com alto potencial de morbidade cardiovascular e cerebrovascular em fases precoces da idade adulta. As causas parenquimatosas renais e renovasculares seguem-se em freqüência como causas de hipertensão na infância e na adolescência, e podem ser suspeitadas pela anamnese, exame clínico e rotina laboratorial mínima preconizada.
Segundo a V Diretriz Brasileira de Hipertensão, a ingestão de álcool, o tabagismo, o usos de drogas ilícitas e a utilização de hormônios esteróides, hormônio do crescimento, anabolizantes e anticoncepcionais orais devem ser consderados possíveis causas da hipertensão.
Como recomendação geral, propõe-se que toda criança ou adolescente com hipertensão arterial diagnosticada, sem causa exteriorizável à rotina inicial, receba uma abordagem não farmacológica dos fatores de risco, por pelo menos 6 meses, à exceção das formas severas e/ou sintomáticas. Assim, todos os esforços da equipe multidisciplinar deverão se concentrar na orientação alimentar, no estímulo à atividade física regular e ao controle do peso corporal, no combate ao tabagismo e a todas as medidas visando a reversão do quadro metabólico descrito.
A abordagem farmacológica é semelhante à preconizada para os adultos, com menores dosagens e ajustes mais freqüentes e cuidadosos. Os inibidores da enzima de conversão (Enalapril, Captopril) devem ser evitados em adolescentes do sexo feminino, exceto quando houver indicação absoluta, em razão da possibilidade de gravidez.



